
As suspeitas do autor são dúvidas,suposições feitas com base em pesquisas e que ele observa na realidade, mas sem nenhuma conclusão.
A qualidade na produção dos saberes passa, pelo papel do professor. Mas não se trata de culpar os professores pela decadência do ensino, e sim valorizar a sua importância e mostrar que eles podem ser a chave para abrir as portas para um novo caminho.
Citarei as suspeitas e as apostas do autor.
AS SUSPEITAS:
Suspeita 1: Quanto mais se fala em qualidade de ensino, mais se perde a qualidade cognitiva das aprendizagens.
Suspeita 2: A qualidade das aprendizagens dos alunos depende da qualidade profissional dos professores. (Libâneo apresenta um paradoxo que estamos vivendo há muitos anos: aprendizagem de qualidade pressupõe qualidade profissional. Há, porém, uma degradação social e econômica dessa profissão).
Suspeita 3: Persiste distanciamento entre teoria (pesquisas universitárias) e prática (professorado do ensino fundamental e médio).
Suspeita 4:Boa parte dos professores formadores de professores desconhece os problemas concretos das salas de aula e discutem temas fragmentados, resultando em visões reducionistas.
Suspeita 5: O interesse pelo tema "formação de professores" promove um olhar mais voltado para os aspectos institucionais e do desenvolvimento pessoal do professor. Isso gera uma redução no interesse pela qualidade da aprendizagem dos alunos. (O foco do ensino tem de ser o aluno.)
Suspeita 6: As recentes pesquisas sobre formação de professores parecem não levar muito em consideração algumas condições importantes das escolas brasileiras (condições precárias de trabalho dos professores; precária formação profissional; desprepararo para exercer múltiplos papéis etc.)
AS APOSTAS:
Aposta 1: na aproximação dos pesquisadores e professores da prática;
Aposta 2: na formação teórica e prática de qualidade para os professores (e no investimento na formação continuada);
Aposta 3: na necessidade de investir na cultura dos professores: "Somente professores que se transformam em sujeitos cultos, isto é, sujeitos pensantes e críticos, serão capazes de compreender e analisar criticamente a sociedade em que vivem, a política, as diferenças sociais, a diversidade cultural, os interesses de grupos e classes sociais e agir eficazmente frente a situações escolares concretas." (p. 36);
Aposta 4: no domínio dos conteúdos específicos: "Ninguém dá o que não tem".
Aposta 5: na mudança na atuação dos professores de formação de professores. "O professor precisa promover o 'ensinar a aprender a pensar'."
Aposta 6: nas mudanças nas condições salariais e de trabalho.
Na escola se realiza uma produção de saberes por professores e alunos. Abaixo se encontram algumas suspeitas e apostas referentes às reflexões que fiz sobre o texto: Produção de Saberes na escola: Suspeitas e Apostas.
Suspeita-se dos critérios de qualidade do ensino, porém se aposta na escola voltada com interação entre professores, escolas e famílias. Pois o professor deve ser formado para as necessidades práticas do mundo.
Suspeita-se que a qualidade do aluno esteja ligada ao desempenho do profissional e o seu domínio de conteúdo, porém se aposta na formação de qualidade teórica e prática e na produção do conhecimento do professor.
Suspeita-se da relação de teoria e prática, pois há muita informação e pouca transmissão de conhecimentos, porém se aposta na transformação dos professores em sujeitos pensantes e críticos.
Suspeita-se que os formadores de professores ensinam teorias que estão distantes das práticas em sala de aula, porém se aposta que o professor tenha domínio dos conteúdos, habilidades, conhecimentos culturais e métodos de aprendizagem.
Suspeita-se que a prática esteja interligada a teoria, pois há um distanciamento da vida real das escolas e das salas de aula, porém se aposta que os conteúdos estejam ligados as experiências vividas nas práticas escolares.
Suspeita-se da precariedade profissional e das condições de trabalho, porém se aposta em uma nova visão de ensinar e aprender em cursos e na formação continuada e na Formação de Professores, e em mudanças nas condições salariais e de trabalho.
Suspeita-se em desconsiderar algumas teorias, porém se aposta na qualificação específica para os formadores de Professores como domínio da didática, conteúdos científicos, culturais e saberes pedagógicos.
Suspeita-se do que é avançado e ultrapassado e o que não é? Porém se aposta no desenvolvimento de estratégias e procedimentos para avaliação e desempenho dos professores e das instituições formadoras.
Há muitas suposições e desconfianças, mas há diversas apostas, que nos levam a arriscar na qualidade da formação profissional dos professores, e crer que eles tem a chance de acertar e fazer a diferença nesta sociedade.
Bibliografia:
LIBÂNEO, José Carlos. Produção de saberes na escola: suspeitas e apostas, In: CANDAU, Vera Maria (org) Didática, currículo e saberes escolares. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

